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Varadero - Cuba
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Varadero
Cuba

Mais uma vez de volta ás Caraíbas. Foi com o prazer redobrado que regressei pela segunda vez a esta zona do globo.

Para ser sincero desta vez ia mais mentalizado/moralizado para enfrentar as intermináveis horas de voo. Já só pensava no bafo de calor que se apanha à saída do avião, na bela piña colada, e naquelas belas águas e naquelas paisagens paradisíacas. São estas pequenas coisas que me levam a encarar o tempo de viagem “seriamente na boa”.

Chegado à ilha de Fidel Castro, verifiquei logo uma coisa… realmente existe aqui um regime totalmente diferente. Ás formalidades normais do aeroporto, junta-se um rigor que julgo ser muito particular de Cuba. Exemplo disso era o tipo que verificava os passaportes e os vistos de entrada e que tinha o ar mais desconfiado do mundo, olhou mais de 5 vezes para mim e para o passaporte. Cheguei a desconfiar que lhe
tinha entregue um passaporte falso (imaginem lá o ar desconfiado dele). Em seguida passei pela revista da bagagem de mão e passei pelo detector de metais (nunca tal me tinha acontecido numa chegada). Fui questionado inclusive se o portátil que levava estava munido de um qualquer sistema de posicionamento GPS. Para terminar a coisa tudo o que era bagagem de passageiro foi passada pelo faro de um cocker… (não houvesse ali uma substância qualquer).

Ufa finalmente saí do aeroporto. Destino Hotel Mélia las Américas na península de Varadero. Numa primeira observação deu logo para ver as belas máquinas tão características deste país… Parecia que o tempo tinha voltado para trás ou que estava a assistir a um rali Pedras d’el Rei.

Passadas as peripécias do aeroporto qual não é o meu espanto quando somos informados pela guia do operador turístico, aquando do transfer, que se estava a formar uma tempestade tropical a sul de Cuba, e que ainda não se sabia muito acerca da possível evolução da mesma.

Chegado ao Hotel já só se pensava em largar as malas no quarto e fazer-me ao mar. Pensado e feito. Nem vos conto… Tive momentos em que não sabia se estava mais calor dentro de água ou se fora dela.

A praia ficava nas traseiras do Hotel. De areia fina e muito branca, bastante limpa e de água clarinha como as fotografias o documentam… 5 estrelas. Como todos os hotéis deste tipo para mim têm um defeito, sempre que se quer ir do quarto até à praia e vice-versa tem de se passar pelo hall de entrada. Enfim não se pode agradar a todos.

No que toca ás “migas” o hotel tinha diversos restaurantes e bares, cujo o serviço estava razoavelmente bom…digo isto porque em comparação com o hotel em que estive na Republica Dominicana estava a meu ver melhor. Apesar disso o sistema tudo incluído funcionou bem. Pelo menos nunca me faltou nada.

Passada a primeira noite veio-se a confirmar o pior. Afinal a dita tempestade tropical tomou as proporções de um furacão grau 5. Nada mais, nada menos do que o Furacão Wilma. Consequências directas disto: Bandeira amarela constantemente hasteada. Desportos e actividades na praia limitadas, mesmo com ondas de meio metro. Uma coisa vos garanto, aquele pessoal leva muito a sério situações como esta e a partir do momento em que se soube que andava furacão na zona notou-se logo o ar de pânico dos empregados do hotel. Tantas emoções logo no 2ª dia.

A incerteza no meio disto tudo era a trajectória que o Wilma ia tomar. Segundo as previsões iria passar algures entre Cuba e a província Yucatan no México, seguindo para Norte em direcção aos Estados Unidos. Subsistia também a ainda dúvida se passaria próximo ou não de Varadero.

Com a situação um pouco indefinida havia era que se aproveitar enquanto dava… e assim foi. Aproveitei e fiz uma excursão a Cayo Blanco. Segundo o que diziam tratava-se de uma ilha virgem de areia branquíssima com vegetação muito densa. A volta da mesma havia uma barreira de coral onde paramos para o mergulho da praxe (muito bom). Nesta excursão havia incluída uma visita a um “delfinário” para ir ver uns golfinhos. Digo-vos que foi uma grande banhada. Para quem como eu pensava ir ver golfinhos em estado selvagem enganou-se. Para quem pensa que pode nadar com os golfinhos, tudo bem, agora tirar fotografias esqueçam. Isso está entregue a fotógrafos que fazem daquilo negócio.

Com furacão por perto o resto das excursões foram canceladas, inclusive aquelas de ida a Havana. Restava a solução Aventura. E aí fui eu fazer 140Km de Táxi até Havana. Apesar de ter poucos anos a carrinha Hyundai obrigou-nos a esforço extra. Sempre que parava por algum motivo e o motor ia abaixo, lá íamos nós empurrar. Digo-vos que mesmo assim, ainda bem que fui a Havana. Seria mesmo um crime ir a Cuba e não ir a Havana. Tive a possibilidade de visitar a parte Velha da cidade onde a traça original dos edifícios se mantém. Tal como os edifícios o parque automóvel mantém-se intacto há longos anos. Almocei nesta zona da cidade onde paguei o almoço mais 10% de gorjeta obrigatória… Sim, não me enganei… a gorjeta é mesmo obrigatória. À conta, há que somar mais 10% para “la propina”. Logo a seguir percorri a longa marginal junto ao mar que dava acesso à zona nova da cidade, onde pude ver o barco que trouxe o Fidel Castro e o Che, o Capitólio (americanisses, quem diria), e a praça onde o Fidel costuma a discursar à nação (Plaza de la Revolucion). Nesta zona existe também a 5ª Avenida onde se situam a maioria das embaixadas, curiosamente a maior embaixada é como devem de imaginar a da Rússia. Visita cumprida regressei a Varadero.

Por fim o furacão que se encontrava estacionado no México à dois dias, começou-se a deslocar para Norte em direcção ao Estados Unidos, passando a Norte de Varadero sem fazer grandes estragos. Segundo as previsões a força maior do furacão coincidia com o ultimo dia de férias por volta das 20h. Posso vos dizer que estive na praia até ás 19.45h. É certo que o tempo não estava muito agradável, a ondulação e o vento aumentaram substancialmente, mas nada que não tivesse já visto por cá.

A última noite foi bastante ventosa, assim com o mar estava bastante agitado, mas em Portugal já vi intempéries bem piores.

Em resumo, foi uma viagem porreira, mas digo-vos sinceramente que esperava mais. Provavelmente se não fosse a questão do furacão a minha opinião seria completamente diferente.

 
Fotos e texto de Rui Seguro