LIVRO DE VISITAS
 
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Ribatejano
Torres Novas
2019-07-07 07:12
105.227.22.168    

AO ACASO.

"Sou...(fulano)...
Venho do Café Nicola
E irei para o outro mundo
Se disparares a pistola. "

Resposta pronta de Bocage quando saía de um Café e foi confrontado por alguém que lhe apontava uma pistola:
"Quem és, donde vens e para onde vais".

Abílio Conde Vieira
Assentis
2019-07-01 20:40
105.184.77.175    

Importante não esquecer:

QUANDO UM CEGO TEM A SUA BENGALA COM FITAS DE COR VERMELHA, SIGNIFICA QUE ALÉM DE TER DIFICULDADES VISIUAIS TEM TAMBÉM PROBLEMAS AUDITIVOS.
ana ouro
Torres Novas
2019-06-14 23:24
95.92.181.127  
O Advogado Helder Fráguas, com a sua experiência de Juiz, é mesmo assim.
Quem não é cliente do Fráguas, é atacado por ele. Quem lhe paga e contrata-o como advogado, ele defende, seja assassino, traficante, burlão, e quando é absolvido de homicídio, tráfico ou burla, ainda pede uma indemnização
Ribatejano
Torres Novas
2019-05-21 18:20
105.224.193.169    


No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos.
Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.
Mas este tem assunto bem recheado de saber.
Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no séc. XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

Abílio Conde Vieira
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2019-05-08 20:50
105.227.204.13    

UMA SUPOSTA CARTA DA AUTORIA DE EINSTEIN CUJO MITO IMPORTA DESFAZER.

Há uma semana transcrevi para este site um texto onde se dizia ser parte de uma carta de Einstein. Alguns dias decorridos fui avisado por dois amigos meus de que era falsa a afirmação sobre o autor dessa pretensa carta, pois a mesma não fora escrita pelo famoso cientista. Porque acima de tudo importa que a VERDADE se sobreponha à mentira, segue um detalhado esclarecimento nesse sentido que um desses dois amigos fez o favor de me enviar depois de haver efectuado uma válida pesquisa sobre este caso.
Eis esse esclarecimento:

" A Internet e as redes sociais aumentaram os poderes de falsificadores; as novas tecnologias têm-lhes dado uma maior visibilidade.
Assim como tropeçamos ingenuamente num texto que considera as crianças “um dom de Deus” com a assinatura do ateu José Saramago, fartamo-nos de ver legitimadas ideias atribuídas falsamante a Albert Einstein.
São montes de textos seus apócrifos!
...um deles é uma suposta carta de Einstein a sua filha Lieserl.
O jovem casal - Albert e Mileva - passeava pela romântica região do Lago de Como, no Norte da Itália, durante as férias. Quando cada um voltou para suas casas, ela estava grávida. O rapaz enfrentava dois grandes dilemas. A família era contra o namoro. E estava prestes a, finalmente, conseguir um bom emprego no escritório de patentes em Berna, Suíça. Na sociedade da época, ele simplesmente não poderia aparecer ao lado de uma grávida, quanto mais viver com ela. A garota, uma esforçada estudante de física, buscou socorro nos pais, na Sérvia. O rapaz escondeu o facto da família e conseguiu o emprego. Anos depois, Albert Einstein e Mileva Maric casaram-se.
Mas o destino de Lieserl, nascida no começo de 1902, transformou-se no maior mistério da biografia do físico. As informações sobre a menina estavam num pequeno lote de correspondência trocada entre Einstein e Mileva, que permaneceu escondido e só veio a público em 1986, quando John Stachel, do Einstein Papers Project, encontrou 400 cartas familiares num cofre de banco na Califórnia, entre documentos do filho do físico, Hans Albert. A primeira mulher de Hans achou o pacote no apartamento que Mileva manteve em Zurique até morrer, em 1948.
Einstein estava apaixonado pela namorada e falava sobre a criança - uma das suas recomendações era que ela não bebesse leite de vaca, "pois isso poderá torná-la estúpida"-. Na carta em que cita o nascimento, pergunta como era a menina, se era careca e com quem se parecia. "Eu amo-a tanto, e nem a conheço ainda." Nunca chegou a conhecê-la. Segundo Walter Isaacson, autor de "Einstein, Sua Vida, Seu Universo", só existe uma pista, na correspondência dos dois, sobre o destino de Lieserl. "Há uma indicação cifrada de que a responsável pela custódia tenha sido uma amiga íntima de Mileva, Helene Savic", regista Isaacson. Numa outra carta Einstein diz em forma de consolo a Mileva que ele lhe dará uma OUTRA Lieserl.
Outra pista sobre o destino de Lieserl, é citada por Michele Zackheim na obra "Lieserl, Einstein,s Daugther" No livro, a autora afirma que a criança foi criada pela família da mãe e morreu por escarlatina em Setembro de 1903. Robert Schulmann, também do Einstein Papers Project, cita que Lieserl realmente foi adoptada por Helene Savic, amiga íntima de Mileva, criando-a com o nome de Zorka. A criança era cega desde a infância e morreu ainda na década de 1900.
Ora bem:
A atribuição da carta a Einstein é falsa bem como falsa é outra notícia que circula na net de que no final dos anos 80, Lieserl [que morreu em criança] doou 1.400 cartas escritas por Einstein à Universidade Hebrea (provavelmente a Hebrew University of Jerusalem), com o pedido de torná-las públicas depois de duas décadas da morte dele.
Essa carta seria, supostamente, uma delas.
Obs:
O pior é ninguém se importar com mensagens falsas, nem se uma história é verdadeira ou falsa … alega-se que “o importante é a mensagem”…
faz reflectir se mensagens belas devem precisar de histórias falsas para serem divulgadas…
se mensagens belas justificam a invenção de tantas histórias falsas… "
Abílio Conde Vieira
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2019-05-01 18:05
105.225.23.236    


FRAGMENTO DA ÚLTIMA CARTA DE EINSTEIN À SUA FILHA LIESERL


" O AMOR…
Quando propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam, e o que te revelarei agora para que o transmitas à humanidade, também chocará contra a incompreensão e os preconceitos do mundo.
Peço-te mesmo assim, que o guardes o tempo todo que seja necessário, anos, décadas, até que a sociedade haja avançado o suficiente para acolher o que te explico a seguir.
Existe uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma explicação formal.
É uma força que inclui e governa todas as outras, e que está inclusa dentro de qualquer fenómeno que actua no universo e que ainda não foi identificada por nós.
Essa força universal é o Amor.
Quando os cientistas buscam uma teoria unificada do universo, esquecem a mais invisível e poderosa das forças.
O amor é luz, já que ilumina quem o dá e o recebe.
O amor é gravidade porque faz com que umas pessoas sejam atraídas por outras.
O amor é potência, porque multiplica o melhor que temos e permite que a humanidade não se extinga no seu egoísmo cego.
O amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre.
Essa força explica tudo e dá sentido em maiúscula à vida.
Esta é a variável que temos evitado durante tempo demais, talvez porque o amor nos dá medo, já que é a única energia do universo que o ser humano não aprendeu a manobrar segundo seu bel-prazer.
Para dar visibilidade ao amor, fiz uma simples substituição na minha mais célebre equação. Se no lugar de E=mc² aceitarmos que a energia necessária para sanar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque não tem limite.
Após o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se voltaram contra nós, é urgente que nos alimentemos de outro tipo de energia.
Se quisermos que a nossa espécie sobreviva, se nos propusermos encontrar um sentido à vida, se desejarmos salvar o mundo e que cada ser sinta que nele habita, o amor é a única e última resposta.
Talvez ainda não estejamos preparados para fabricar uma bomba de amor, um artefacto bastante potente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o planeta.
Porém, cada indivíduo leva no seu Interior um pequeno mas poderoso gerador de amor cuja energia espera ser libertada.
Quando aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl, comprovaremos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor é a quintessência da vida.
Lamento profundamente não ter sabido expressar o que abriga meu coração, que há batido silenciosamente por ti toda a minha vida.
Talvez seja tarde demais para pedir-te perdão, mas como o tempo é relativo, preciso dizer-te que te amo e que graças a ti, cheguei à ultima resposta.
Teu pai,
Albert Einstein. "

Abílio Conde Vieira
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2019-04-09 20:23
105.225.166.98    
Transcrevo tal qual como acabei de receber:



" Do Mural de Lourdes dos Anjos:
Quando os meninos me pediam "papel macio pró c u e roupa boa prá gente"…Um dos textos que mais me custou a escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras.
Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.Era tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas.
As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.
As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas para a cidade, “servir” para casa de gente de posses. Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam pelo correio, no final de cada mês.
Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir, serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga), cultivavam as leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24 horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…E os filhos faziam-se gente.
E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão!
Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes!
A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar não é coisa para ricos mas para todos, para todos.
E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.
E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que baptizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome.
Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua à espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.
As escolas fecharam-se, os professores foram quase todos trocados por gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
Sabem que mais?!
Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel macio pró c u e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”.
Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.
Hoje, não há gente… é tudo transgénico .
O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.
Dizem que já estamos no século XXI...”

Abílio Conde Vieira
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2019-04-01 18:54
105.227.23.186    

"Saber não ocupa lugar",

ensinavam-nos desde a infância.
Portanto, quem quiser saber a origem do "dia das mentiras" que é anualmente recordado no dia 1 de Abril, é só ler o texto que aqui transcrevo, "acabadinho" de receber de um amigo que o escreveu depois de pesquisa por ele efectuada na Internet:

" - A culpa é de uma mudança no calendário cristão, feita no século XVI.

A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos IX (1560-1574).
Desde o começo do século 16, o ano-novo era comemorado a 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes e animados bailes noite adentro, duravam uma semana, terminando a 1 de abril.

Em 1562, porém, o papa Gregório XIII (1502-1585) instituiu um novo calendário para todo o mundo cristão – o chamado calendário gregoriano – em que o ano-novo caía no 1º de janeiro. O rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564, e, mesmo assim, os franceses que resistiram à mudança, ou a ignoraram ou a esqueceram, mantiveram a comemoração na antiga data.

Alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior – apelidados de “bobos de abril” – presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o tempo, a galhofa firmou-se em todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, partiu para a Inglaterra e daí para o mundo."

Ribatejano
Torres Novas
2019-03-20 21:39
105.184.32.198    



Subject: ESSA É DE DOER.
Quem sabe, sabe...

Consta que, certa noite, anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de "Mouton Rothschild", safra 1928.

O empregado mesa, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente, traz o decante de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar.

O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir o aroma,fecha os olhos e cheira o vinho.

Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:

- Isto aqui não é um Mouton de 1928!

O empregado de mesa assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é.

Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chefe de mesa e o gerente do hotel, que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928.

De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.

- O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente modestamente, e fui eu que fiz esse vinho.

Consternação geral.

O empregado de mesa então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:

- Desculpe, mas não consegui suportar a idéia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.

Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o empregado de mesa pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:

- Quando voltar para casa esta noite peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela muito próximos um do outro e faça um teste de olfacto. Você perceberá a subtil diferença que pode haver numa pequeníssima distância geográfica.

In vino veritas

Abílio Conde Vieira
Assentis
2019-03-14 20:15
105.225.23.60    

De um amigo e ex-colega de trabalho acabei de receber um e-mail cujo texto, porque dele gosto, abaixo o transcrevo na íntegra.
Era de facto assim, como o autor descreve, a bela "Pérola do Índico", Lourenço Marques.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...
A saudade, essa não muda...



" Falta uma referência, às sandes de carne assada da Nacional...

Lourenço Marques - Moçambique

(Não sei quem escreveu, mas partilho)

A saudade é o tempo que passou. Para «acalmar» os momentos de nostalgia sento-me e recordo com saudade a minha querida cidade de Lourenço Marques, Moçambique!
São nove horas e trinta minutos de um anoitecer cálido de Verão. Sentado numa das cadeiras que ornamentam a varanda recuada da minha «palhota» (casa em gíria africana) olho a linha alaranjada do horizonte que se perde no mar de Matosinhos e as nuvens difusas da poluição que cai sobre os campos verdejantes da minha terra. A lassidão trouxe-me à mente longínquas imagens do passado. De um passado que recuou à juventude dos meus vinte anos…
Embalado por essas imagens, semicerrei os olhos e deixei-me sonhar e embalar numa onda de saudade que me transportou a outro lugar e a mais de quatro décadas atrás. Sei lá quanto tempo durou a minha visão… talvez minutos, talvez horas, mas tenho a certeza de que foi linda e que tudo ao meu redor me pareceu melancólico e triste quando se dissipou a minha romagem de saudade.
Comovido? Claro! Além de me considerar um incorrigível sentimentalista — creio que qualquer um outro, no meu lugar, teria sentido, também, dificuldade em controlar algumas lágrimas teimosas —, recordei com saudade tudo o que para sempre ficou para trás. E, porque não confessá-lo, talvez que nessa comoção existisse um misto de saudade e de gratidão. Sim, gratidão porque aprendi, no passado, a sentir saudade!
Através da névoa dos anos passados em Lourenço Marques, vi-me no «Continental», no «Scala», na esplanada do velho «Nicola» rodeada pelas frondosas árvores da Praça 7 de Março. Vi-me entre os colegas e as velhas «Linotypes» do jornal «Notícias de Lourenço Marques». Vi-me entre aquela simpática gente que recebia, sempre de braços abertos, os que chegavam pela primeira vez à bela cidade, construída pelos portugueses na parte oriental de África, e que as mornas águas do Índico banhavam. Vi-me entre os jovens da minha idade que, em grupos, se reuniam na esplanada da «Cristal» ou da «Princesa», mesmo junto do Liceu Salazar e da Escola Comercial, contando anedotas e «confessando» os segredos próprios da juventude. Vi-me nas fugidas que fazíamos à Cooperativa dos Criadores de Gado, para saborear as deliciosas arrufadas, as estaladiças «waffles» e o batido de chocolate gelado. Vi-me muito bem instalado a saborear os famosos «pregos» em pão do «Marialva», a bem temperada galinha à cafreal da «Imperial» e os camarões grelhados com molho de limão e manteiga do «Piripiri»… Havia lá melhor manjar!
Vi-me, tantas vezes em grupo, a deslocar-me ao Mercado Vasco da Gama para viver uma aventura de vida e de cor, com aquelas bancadas de vendedeiras brancas e negras, mulatas, indianas ou chinesas, regateando o preço e a qualidade dos seus produtos dos mais variados tipos. Sempre apinhado de turistas, vindos da África do Sul e da Rodésia, aquele mercado tornava a cidade mais cosmopolitana. Ah!… e aquelas mangas saborosíssimas, as enormes abacates, as papaias rosadas, o aromático maracujá e o suculento abacaxi, o caju assado pelas «mamanas» numa rudimentar lata com carvão incandescente e também as deliciosas e doces laranjas de casca verde. Oh!… tantos cheiros e sabores da fruta tropical que se cultivava nos campos circunvizinhos da cidade (Matola, Boane, Goba, Marracuene, Umbelúzi…)
O meu sonho «levou-me» ainda ao paradisíaco Jardim Vasco da Gama e à paz que se gozava entre a fresca e a variada vegetação onde se sentia, também, a alegria dos parzinhos de namorados que se prometiam sentados nos bancos de pedra ou de madeira espalhados sob aquelas frondosas e seculares árvores. Vi-me levado ao inesquecível «passeio dos tristes» (desde o «Zambi» até à Costa do Sol ou até ao Bairro dos Pescadores), ao pôr-do-sol passando pelo «Miramar». Aqui a paragem era obrigatória para admirar a beleza daqueles corpos morenos que se bronzeavam deitados sobre as areias finas e limpas que se perdiam numa extensão de cerca de trinta quilómetros, até à selvagem praia da Macaneta bem escondidinha na foz do rio Incomáti!
Vi-me ao volante do meu «Cooper S» entre os muitos «fângios» que aceleravam, até ao máximo das rotações, na pista da Costa do Sol. Vi-me a percorrer a marginal e a gozar a beleza de uma paisagem inesquecível enquadrada por velhas palmeiras, acácias e jacarandás e por um mar calmo e meigo.
E que delírio, quando era domingo de piquenique na Catembe. A travessia da baía do Espírito Santo no belo e típico «ferryboats» era uma saudável «farra» em que todos participavam e cantavam ao som de alguma velha viola, de um improvisado tambor ou mesmo de um roufenho acordeão que algum «turista» resolvia carregar. Ali todos se conheciam e todos confraternizavam em harmoniosa e salutar fraternidade.
Ao chegarmos ao outro lado atirávamos com a «carga» para a areia e espraiávamos o olhar com orgulho naquele inigualável postal turístico que se debruçava perante nós: a moderna e querida cidade de Lourenço Marques que os portugueses construíram desde que, em 1544, foi fundada a feitoria pelo colonizador português! E como nos orgulhávamos da «nossa» cidade ao contemplá-la do outro lado da Baía do Espírito Santo!…
O mar era belo e misterioso e quanto mais dele aproximávamos, mais beleza nos oferecia numa costa de sonho onde figurava a serenidade da praia do Bilene, a bravura do mar na escondidinha Macaneta, a beleza agreste das praias do Xai-Xai, do Chongoene, da pacatez de João Belo, do acolhimento de Inhambane, a terra da boa gente, ou o encanto bravio da Ponta do Ouro!…
O roncar acelerado de um automóvel «acordou-me» do sonho e maldisse a hora em que esse «incómodo despertador» cruzou pela minha rua.
Saboreando o gozo das minhas memórias saí do meu transe. Limpei os olhos húmidos e tentei reconciliar-me com o presente e, num tributo quase de gratidão à terra onde vivi parte da minha juventude, resigno-me a viver cada dia dizendo baixinho:
«Obrigado, Moçambique!
Que saudade sinto de ti!»

 
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