CRÓNICAS DE ASSENTIS
 
Assentis - Crónicas

Histórias da carochinha

     Depois de beber um café na “Liberita” e passar os olhos pelos jornais desportivos, dirigi-me ao carro estacionado no largo do parque infantil. A beleza dos canteiros fez-me perder alguns segundos a contemplar o colorido primaveril das pétalas das flores e da relva, circundadas por passeios de calçada à antiga portuguesa. Num dos bancos, um idoso passava pelas brasas à sombra da árvore existente, podada e bem tratada. Ao lado, três crianças brincavam no parque infantil bem cuidado. Dei à chave, e meti a marcha-atrás para sair de um dos cinco lugares de estacionamento bem delimitados.

     Quando passava pela Serrada, reparei que as bermas e valetas estavam arranjadas e já não se notavam vestígios de caleiras partidas e buracos abertos nas sargetas.

     Entretanto, quando chegava ao cruzamento, o telefone tocou. Tinha de me dirigir à Fonte Velha. Optei por seguir pela estrada do campo de futebol e quando passava em frente ao Malagueiro, observei um casal a percorrer os passadiços de madeira em volta do lago.

     Perto do Lagareiro, reparei que duas senhoras embelezavam o interior do nicho pintado de branco com ramos de flores. A portinhola estava aberta e deu para me aperceber da beleza dos azulejos recuperados com uma imagem de Cristo sepultado na cruz.

     Prossegui e ao passar na Fonte Velha, fiquei mais uma vez surpreendido com a diversidade de flores que brotavam nos canteiros de pedra. Num dos bancos de madeira, à sombra das árvores, um homem de meia idade via o seu cachorro fazer algumas diabruras na relva bem aparada. As árvores tinham sido podadas, e com ramagem nova e densa, já não aparentavam qualquer perigo. A passarada bebericava na fonte, e descansava nos muros, retemperando forças para a nidificação nas casotas colocadas nas árvores circundantes.

     Entretanto, o telefone voltou a tocar. Tive de me dirigir rapidamente para Ourém. Enquanto conduzia, deixei de reparar no que ia encontrando pelo caminho, pois a beleza daqueles recantos de Assentis teimava em não me sair da cabeça.

 

Nuno Matos
 
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