CRÓNICAS DE ASSENTIS
 
Assentis - Crónicas
As 6 maravilhas da nossa terra


        Hoje proponho-me revelar no meu simples entender o que considero como sendo as 6 maravilhas de Assentis (localidade). Não é uma escolha fácil, mas mesmo assim, por certo que dará origem a comentários do tipo: e porque não isto também? Das escolhas que fiz não as enumero por nenhuma ordem hierárquica pois entendo que cada uma à sua maneira tem ou teve um contributo decisivo para a nossa terra.

Cruzeiro - Símbolo incontestável da nossa terra, fruto das fracas raízes arquitectónicas aqui instituídas a sua traça combina o tradicional com o moderno e tem servido muitas vezes como símbolo da nossa identificação perante outras localidades.

Escola EB1 – Com muitos anos de vida tem servido como fonte de conhecimento inesgotável. Por lá passaram ( e graças a Deus vão passando ) quase todos os filhos desta terra, lá se inicia a caminhada na aprendizagem, mas acima de tudo lá se começam a desenvolver os sentimentos de partilha e amizade que nos vão guiando por essa vida fora. Foi ( e é ) lá que começamos a ver crescer os homens e as mulheres dos nossos dias. É um edifício igual a tantos outros por esse país fora, mas que as obras de restauro e conservação que foi sofrendo não lhe tiraram o que tem de tradicional. Vale acima de tudo pelo saber que se transmite entre as quatro paredes que o albergam mas é mais um ícone da nossa terra.

Tia “Anita” Rosa – Esta é talvez a lenda viva que mais contribuiu para levar o nome da nossa terra a outras paragens. Existe uma divida de gratidão para com ela pois soube a seu tempo demonstrar que somos uma aldeia viva. Dentro das limitações à altura ( bem mais que nos dias de hoje) conseguiu manter uma vivacidade contagiante nas pessoas e esse foi para mim um dos seus grandes contributos. A alegria que punha nos seus trabalhos contagiava e ninguém podia ficar indiferente. Conseguia facilmente deixar-nos em “ estado de graça “ e esse era um sentimento muito reconfortante. As suas músicas, as suas encenações, as suas rimas, as suas prosas, mas acima de tudo a sua atitude positiva tem-nos feito pensar que afinal é muito bom ser filho desta terra.

Centro Recreativo e Cultural de Stº António – Tem sido esta associação a grande responsável pela dignificação do nosso nome. O seu contributo como entidade que possibilita um espaço de encontro e convívio das suas gentes é imensurável. Lembrar-mos de serões, festas, bailes, matinés, teatro, culto religioso, desporto faz –nos ter a certeza da firme importância que tem tido ao longo dos tempos e que se espera que mantenha por muitos mais anos. A dedicação que muitas pessoas tem dado em prol da manutenção e identidade só nos faz aumentar a nossa admiração por elas. A ramificação criada com o departamento de futebol não lhe fez perder identidade mas sim demonstrar ainda mais a sua força no panorama desportivo regional. É inegável o contributo que a equipa de futebol tem dado na promoção da nossa terra e das nossas gentes, é gratificante ombrear com equipas de sede de concelho e com outro tipo de infra-estruturas e apoio que a este nível nós não temos, bater-nos “taco a taco” com elas é sem duvida estimulante. A actividade desportiva é fonte de vida saudável a inclusão das escolinhas e dos escalões de futebol juvenil fazem-nos crer que este é o caminho certo na preservação das gerações vindouras.

Malagueiro – Atrevo-me a dizer que este é monumento natural, com as devidas adaptações é claro. A mão do homem teve papel decisivo no seu aparecimento e manutenção mas é na sua preservação que está agora a sua real função. A paisagem que nos proporciona é riquíssima, mas mais que tudo isso é a nostalgia com que ficamos quando recordamos tempos idos com belas tardes ( de traquinices para não dizer pior ) passadas junto de tamanha fonte de frescura.

Comunidade Wireless e Web Site – Não poderia terminar esta minha abordagem sem fazer referência ao papel que as novas tecnologias vão ter no mundo de amanhã. Sem dúvida que o nascer desta comunidade potenciará as relações de partilha e interactividade entre os seus membros. Este é um grande contributo que está a ser dado em termos de gerações futuras. Logicamente que hoje os jogos já não são efectuados a mesa do café ou da colectividade. A “lerpa” a pouco e pouco irá ser trocada pelos jogos de guerra ou de street race jogados em rede, mas isso meus amigos é o preço que já estávamos condenados a pagar fruto do “boom” informático que se tem vindo a acentuar. Se da partilha, da ligação, da interactividade interposta se puderem acrescentar valores então esta potencial maravilha da terra terá cumprido todas as suas reais e principais funções que mais não são que o enriquecimento do conhecimento de cada um partilhado por todos.

        Bem, esta é a minha modesta opinião, cada um terá as suas maravilhas, mas deixem que lhes diga que algumas das que apontei são por certo inquestionáveis. A razão de serem seis é um cunho pessoal, fala-se tanta vez de sete porque não serem seis? Ou sessenta? Eu escolhi as seis da minha terra, gostava que esta atitude fosse alargada ao nível da freguesia ou até mesmo do concelho para que se levasse as pessoas a pensar naquilo que todos os dias vêem mas que não lhe dão o seu real valor, mas mais, para que possam de uma vez por todas pensar que tem que preservar aquilo que aos olhos dos outros tem “mais” importância que para eles próprios. Era uma iniciativa destas que gostava de ver realizada assim haja vontade das forças autárquicas para a levar adiante.

Um abraço


José Perdigão
2007-02-27
 
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