CRÓNICAS DE ASSENTIS
 
Assentis - Crónicas
Um horizonte a reflorestar
     A vida quotidiana tornou o homem como principal inimigo da floresta. As suas actividades tornaram-se num verdadeiro atentado ao mundo rural, daí que, considerar preocupante os malefícios que tem causado à floresta, seja um termo benevolente.

     A floresta contígua à nossa aldeia não ficou imune a este atentado. Quem se recorda da Serra d’ Aire à meia dúzia de anos, por certo que não tem a mesma visão que é a dos nossos dias. Aqui também, os incêndios principalmente, ( e atrevo-me a dizer o lucro fácil e a exploração desmesurada de recursos ) contribuíram para uma alteração radical no meio ambiente.

     O homem nas suas acções ( quer activas quer passivas) provocou uma evidente deterioração do mundo rural, com claros prejuízos ao nível do ecossistema, que logicamente se reflectiram a nível ambiental e social.

     É o despertar destas consciências que gostaria de ver realizado, quer por parte da populações, quer por parte da esfera de decisão, de forma que “vissem “ nesse caminho, o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, o aproveitamento dos recursos naturais pela geração presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras em satisfazerem as suas.

     É um dado adquirido que a floresta é recurso essencial não só enquanto geradora de riqueza, mas também pelos benefícios indirectos que fornece, como a qualidade do ar e da água, os recursos silvestres, a preservação do solo e a própria paisagem. Se assim é, penso que uma intervenção dos órgãos de decisão na reflorestação da Serra d’ Aire ( pelo menos ) seria um passo em frente num local que corre o sério risco de se ver deixado ao abandono. Chamo todavia a atenção para as medidas que vierem a ser aplicadas devam sempre levar em linha de conta a Gestão Sustentável, ou seja: Uma Organização do Espaço, o Aproveitamento dos múltiplos usos da floresta e acima de tudo uma Gestão Eficiente do próprio espaço, só assim se proporcionará a geração de outros bens essenciais de valor ambiental e social, bem como a própria promoção do desenvolvimento local.

     Sem dúvida que só com a articulação de todas as forças se pode conseguir um futuro melhor para o nosso meio envolvente, e quem sabe desta articulação não surjam ideias que possam tirar proveito económico de uma gestão sustentável da floresta que nos irá por certo novamente rodear.

     Apelo aos órgãos de decisão que não deixem passar esta situação em vão pois tem meios e poder para o fazer, sob pena de se perderem oportunidades únicas de o concretizar. Este meu apelo vai no sentido de se criarem sinergias entre todos os participantes neste projecto, pois cada vez mais o poder dos órgãos autárquicos não se confina à Decisão, mas sim deve apelar à óptica participativa de todos os agentes económicos. A obrigação não está tanto no fazer mas sim no consciencializar esses agentes. Sendo que, quanto melhor se for sucedido nesse processo, mais rápido será o sucesso das políticas que adoptarem.

     A verdade é que neste processo o tempo é um nosso adversário pois cada ano que passa são centímetros a menos num tronco qualquer.

Um abraço e até à próxima.


José Perdigão
2006-05-25
 
 
 
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