CRÓNICAS DE ASSENTIS
 
Assentis - Crónicas
Fresco ou seco ... chame-lhe um Figo!!!
 
     Pensei começar por vos falar do Figueiral da nossa região, dos nossos Verões a apanhar as passas, das sestas debaixo das figueiras, as tardes passadas nos passadouros a escolher os figos. Mas depressa acordei para a realidade e decidi apresentar-vos um pequeno historial, a situação actual e talvez algumas soluções para a “crise” dos nossos figueirais.
A Figueira é uma árvore originária do Sudoeste da Ásia. O Figo inicialmente consumido em fresco passou a ser muito utilizado em seco, a partir do Sec. XIV. Os carregamentos dos descobridores Portugueses incluíam grande quantidade de Figos Secos.

     A Turquia é o maior produtor Mundial de Figos, detendo cerca de 27% da produção, sendo a Espanha o maior Produtor da Europa com cerca de 60000 Ton/ano, enquanto que Portugal produz cerca de 7000 Ton/ano, sendo produzidas cerca de 4000 ton na nossa região. Existem 3 zonas de Produção de figo no nosso País: Torres Novas, Algarve e Trás-os-Montes.
Na região de Torres Novas esta cultura encontra-se em consociação com a Oliveira, sendo a variedade Figo Preto de Torres Novas a mais predominante, mas com árvores bastante envelhecidas.

     A variedade de Figo Preto de Torres Novas, foi responsável pela subsistência económica da maior parte das famílias da nossa região até algumas décadas atrás. O Figo Preto de Torres Novas tem características nutricionais únicas e a sua árvore sobrevive em terrenos pobres e encostas difíceis de aproveitar. A natureza calcária dos nossos solos, o efeito de Foewn causado pela proximidade da Serra D’Aire e as temperaturas superiores às Regiões ao nosso redor são o ambiente perfeito para a cultura desta variedade.

     Outrora os agricultores da nossa terra faziam duas intervenções nos seus figueirais: fazer os terreiros e colher os frutos. Depois era vender os figos secos escolhidos e os restantes iam para as destilarias e assim subsistiam.

Hoje, urge outro tipo de intervenção: análise de solos, escolha de variedades, compassos, rega, poda em verde e de Inverno e tratamentos, pois não podemos esquecer que agora existem mais pragas e doenças que antigamente. Por exemplo: por vezes diz-se que os figos “avinham” e que é da humidade, mas não! A Ceratitis Capitata é o insecto causador dessa ocorrência. Bastam simples armadilhas caseiras que reduzem esta praga e rentabilizam a produção.

     Esta variedade só produz figos vindimos, ou seja, no final do Verão, no entanto existem outras variedades também facilmente adaptáveis á nossa região que produzem só lampos ( figos que atingem a maturação em Junho) e outras que produzem lampos e vindimos.

     Resta aos nossos agricultores reconverter o nosso Figueiral, seleccionar as variedades que mais lhe serão rentáveis, utilizar as regras das Boas Práticas Agrícolas e terão um pomar sustentável.

Quanto ao escoamento dos figos existem algumas soluções que os rentabilizarão e que são nomeadamente a venda em Fresco, os secos de 1ª escolha que podem ser embalados simples ou confitados com doces ou outros frutos, os licores, e a doçaria que tem um óptimo nicho para o escoamento dos Figos, tal como a cosmética para cremes, champôs, etc.

     O mercado existe!! Temos é de investir para poder competir com os concorrentes de mercados externos.

     Não devemos esquecer que pertencemos a “Torres Novas - Capital dos Frutos Secos”.
 

Ana Lopes
2006-04-04
 
 
Voltar à Lista de Crónicas