CRÓNICAS DE ASSENTIS
 
Assentis - Crónicas
O legado
 
     O que me leva a escrever estas linhas, não é o passado, tal como faz Alfredo Tomás (e bem), mas sim a preocupação com que encaro o futuro. Tenho a certeza que todos nós, ou pelo menos grande parte, ainda não demos conta do tesouro que temos em Assentis. Trata-se do património natural que nos rodeia, banhado ao longe pelos arrifes e planaltos da serra de Airre, com os moinhos a espreitar. Se bem que, convém frisar, que ficou muito devastado pelo incêndio de 2003.

     Mas, o que me leva a escrever estas linhas, não é tanto o flagelo “natural” que nos atingiu, mas sim os actos ignorantes levados a cabo por algumas pessoas. E pergunto: será que os nossos descendentes têm culpa dos nossos erros?

     Passo a explicar: imaginem que daqui a 20 anos o Jorge, o Paulo ou a Francisca vão realizar um passeio pedestre pelos nossos pinhais ou pela meia encosta da serra e deparam-se com colchões usados, tv´s avariadas, pára-choques retorcidos ou latões enferrujados. Provavelmente, o cenário não será muito idílico, como já não o é actualmente.

     Pessoalmente, fico estarrecido quando dou uma voltinha pelas redondezas e deparo-me com montes de lixo, “inadvertidamente” espalhados por algumas mentes ignóbeis. Coitados, os autores de magníficas proezas não têm culpa, pois os seus cérebros não dão para mais.

     Penso que está na altura de reflectirmos um pouco sobre esta situação, alertar quem prevarica e se necessário, denunciá-los.

     Também reconheço que a educação ambiental só agora está na moda, mas as gerações futuras não têm culpa dos erros que se estão a cometer.

     Já que não podemos ter saneamento básico, zona industrial, equipamentos culturais e desportivos, entre outros, ao menos vamos preservar aquilo com que a natureza nos brindou. Não se esqueçam que são as árvores que produzem o oxigénio que nós respiramos. E já agora, aproveitem para dar uma passeata pelo vale Braçal, Grafanheira, Paiol, Outeiro da Fonte, Vale de Abrantes, Fornia, etc, para desfrutar de locais magníficos (é verdade, ainda existem alguns!) e do chilrear dos pássaros.
 

Nuno Matos
2006-03-07
 
 
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