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Breve Comentário sobre o livro de Manuel dos Reis Violante de Casais da Igreja

“O Meu Percurso de Vida”

Decorria o auge da Segunda Guerra Mundial quando o Manuel dos Reis Violante nasceu. Apenas um mês e escassos dias depois de mim. Ele vindo ao mundo em Casais da Igreja e eu na Fonte Velha, Assentis. A Escola Primária de ambos não foi a mesma. Mas a Catequese (Doutrina como nós então lhe chamávamos) essa sim, foi. Prolongando-se por vários anos. E sempre sob a “batuta” do exigente – e por vezes até um pouco duro – Padre Agostinho Cláudio Nunes, Pároco da nossa Freguesia. Como eu recordo o seu alicate e o pau de Palmeira, “ferramentas” que ele não raro usava para nos “acariciar” quando entendia necessário.

A semente de uma mútua amizade que O Manel e eu mantemos viva e ambos muito prezamos, foi aí - na “Doutrina”- plantada e germinada. Tendo a sua “nutrição” inicial resultado dos nossos constantes jogos de berlinde e sobre tudo de futebol (com bola de trapos) realizados nos intervalos da nossa Catequese. O “campo de jogos” era o espaço (então de pedra e saibro) que medeia entre a Igreja da Freguesia e o actual Salão Paroquial, o qual nos últimos anos da nossa Catequese, estava a ser construído por mando do Padre Agostinho.

Não fosse, indiscutivelmente, robusta e sã essa amizade e estou certo que ela não resistiria a várias décadas de uma “hibernação” provocada pela minha saída para Moçambique em 1960.

Tudo isto, apenas para explicar o facto de o Manel e eu continuarmos, ambos a cultivar com prazer mútuo uma sólida e sincera amizade nascida na infância.

Ora, sendo nós indiscutíveis amigos, nada mais natural que o Manel tenha tido a gentileza - que me apraz mencionar e agradecer - de me oferecer um exemplar do seu livro “O Meu Percurso de Vida”.

De posse dele, assim que me foi possível, li-o. De uma assentada.Tal como quase sempre faço com qualquer livro que me agrade. Já o contrário, ou seja se o mesmo não me desperta de início grande interesse, ...”hum..hum... vou lendo...aos poucos...”

Posto isto, e não desejando alongar-me muito mais, quero publicamente dar os meus sinceros parabéns ao amigo Manuel Violante pela publicação deste seu “feito”: O Meu Percurso de Vida.

Acima de tudo, pela coragem que ele demonstrou ao publicar um livro que em nada o envergonha. Muito pelo contrário. Já que, quem seja honesto, tem forçosamente de reconhecer o valor do mesmo. Principalmente pela forma como o autor bem observa tudo o que o rodeia e excelentemente descreve, não só todo o seu meio ambiente, mas também o modo como na época se vivia (mal!...) na nossa região: sob uma Ditadura que fazia vista grossa à pobreza e à miséria; duras condições agravadas por um devastador Pós-Guerra; e ainda sob um lamentável “laissez faire, laissez passer” da Igreja Católica então dominadora nos meios rurais, muito mais que o é hoje.

Amigo Manel, sem dúvida, “documentaste” descrevendo com perfeição e clareza uma época, uma região e o viver das suas gentes. Quanto a mim é este o aspecto mais importante do teu livro.
Alguns factos iguais ou parecidos aos que mencionas, eu próprio, tal como tu, também os vivi e sofri. Por isso os testemunho.

Portanto, os meus repetidos parabéns.

O teu livro - em minha opinião – para além de tudo o mais, traz também uma achega para a História da nossa Freguesia e seus arredores.

Força, Manel. “Dos fracos não reza a História”, como nos ensinaram. Valeu a pena.

Um abraço e desejos de boa saúde.

Em tempo:
O João António de Sousa Pereira “prefaciou/apresentou” muito bem o teu livro.
Gostei dessa sua sucinta apresentação/prefácio. E não duvido de que, quem o leia não deixará de estar de acordo comigo. Para ele, que não vejo desde que daí parti em 1960, vai também um abraço e igualmente votos de boa saúde.

Abílio Conde Vieira
2020-01-28
 
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